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Poder Judiciário lança ação de combate às fake news

Neste 1º de abril (conhecido como Dia da Mentira), as redes do Poder Judiciário iniciam a campanha #FakeNewsNão, que tem como objetivo combater e alertar sobre o perigo de disseminar notícias falsas, as fake news, no ambiente digital.

A iniciativa, conduzida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), tem a parceria do Supremo Tribunal Federal (STF), de tribunais superiores e de associações de magistrados, e busca promover a divulgação de informações relevantes, de forma clara e transparente.

Ao falar sobre a ação, o presidente do CNJ e do STF, ministro Dias Toffoli, reafirmou que a democracia pressupõe Judiciário e imprensa livres. “Estamos iniciando campanha no Poder Judiciário, junto com as associações de magistrados, também em defesa da magistratura, porque não há Estado Democrático de Direito, não há democracia sem um Judiciário independente e sem uma imprensa livre. É fundamental que tenhamos essa percepção, da necessidade de termos um Judiciário que possa, num país infelizmente ainda tão desigual, garantir direitos e liberdades fundamentais”, afirmou Toffoli.

As peças serão veiculadas nas mídias sociais do Supremo, na Rádio Justiça, na TV Justiça, além das redes sociais do Superior Tribunal de Justiça (STJ), do Tribunal Superior do Trabalho (TST), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do Superior Tribunal Militar (STM) e de outros órgãos parceiros. O material apresentará desde dicas de como identificar uma fake news até exemplos reais de conteúdos divulgados pelas redes sociais.

Fonte: Notícias STF

Crédito da imagem: STF

Solução para fake news não é simples e passa pela educação, dizem debatedores

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) discutiu neste 1º de abril, Dia da Mentira, a influência das fake news na sociedade. Os participantes concordaram que enfrentar o problema da desinformação não é simples, precisa de soluções multissetoriais e, principalmente, passa pela educação e pelo engajamento de todos, incluindo a população, as empresas de tecnologia da informação e os políticos.

Mas enquanto essa educação não se efetiva, a sociedade precisa se socorrer por meio da atuação do Judiciário, que arbitra o equilíbrio entre a liberdade de expressão e a infração e responsabiliza os criminosos, frisou Beatriz Barbosa, do Coletivo Intervozes. Para ela, Polícia Federal e Ministério Público precisam ser exemplares na investigação das fábricas de desinformação que atuaram principalmente nas eleições de 2018. Porém, até agora, não se tem notícia de condenações de grupos que atuaram durante o pleito.

— É preciso que a Justiça julgue com mais celeridade, para desestimular que a prática continue, e escalonar a responsabilidade, de quem produz e de quem financia [fake news] — disse.

Ela pediu um debate franco com a classe política para que ela própria não se torne propagadora de fake news. E alertou que os políticos têm usado a expressão para se referir a um conteúdo jornalístico do qual discorda. A sociedade, disse, precisa estar atenta a isso e cobrar respostas.

Outro ponto de consenso entre os debatedores foi a crítica às propostas que responsabilizam os usuários da internet por repassarem fake news. Os cidadãos, que muitas vezes não tem nem sequer como investigar a veracidade da informação que recebem — por não ter acesso franqueado à internet, por exemplo —, não podem ser tratados como criminosos por enviarem algo em que acreditaram, frisou Beatriz.

Thiago Tavares, da Safernet, explicou que a criminalização de quem recebe e encaminha mensagens falsas, assim como a remoção massiva de conteúdos e a restrição à liberdade de expressão, presentes em algumas propostas em tramitação no Congresso sobre o tema, é o caminho adotado pela China. Naquele país, disse, a regulação da internet é grande, o que se confunde inclusive com censura e ataque à liberdade de expressão. Por outro lado, Tavares entende que tampouco é ideal deixar nas mãos de grandes empresas de tecnologia como Google, Facebook ou Twitter o poder de dizer qual conteúdo é verdadeiro ou falso e se pode ser veiculado ou não.

Para lutar contra a desinformação, disse ainda Tavares, é preciso mais informação correta e produção de conteúdo positivo. Ele também aposta na redução de incentivos econômicos, pois acredita que dinheiro público pode estar sendo utilizado para a produção de conteúdo falso.

Outro ponto importante na luta contra as fake news, frisou Cristiano Flores, representante da Associação Brasileira Emissora de Rádio e TV (Abert) é o jornalismo profissional, que investiga, tem fontes de certificação da informação e, principalmente, garante direito de resposta e retratação quando um erro é detectado. Ele também afirmou ser preciso responsabilizar as empresas de tecnologia como se fossem de mídia, porque há monetização de seus espaços com os anúncios, há um público anunciante, e eles não seguem as mesmas regras das demais emissoras.

Marina Pita, do Instituto Alana de proteção à infância, lembrou a necessidade do respeito à legislação que proíbe a publicidade dirigida às crianças e pediu a responsabilização de quem camufla a propaganda na internet, como nos casos das crianças com canais no Youtube para abertura de pacotes de brinquedos.

Algoritmos

Representantes das empresas Google, Facebook e Twitter trouxeram informações sobre como têm atuado para combater as fake news em suas plataformas. Ações de aprimoramento dos algoritmos, com remoção de posts (publicações) com discurso de ódio e racismo; redução do alcance de postagens com conteúdo de “baixa qualidade”; parceiras com agências de verificação de fatos; apoio a cursos de educação digital e até a oferta de cursos online que incentivam posturas críticas a fontes de informação foram adotados pelo Facebook, explicou Monica Rosina, representante da empresa no Brasil.

Fernando Gallo, do Twitter, destacou o aprimoramento das ferramentas de detecção de contas que manipulam e espalham spam (mensagens não solicitadas e multiplicadas automaticamente), mas salientou que não é viável distinguir o que é falso do que é verdadeiro quando as postagens têm conteúdo que não infringe tão claramente a lei ou as políticas de uso das plataformas.

— Nós, como empresas, não podemos ser os árbitros da verdade — salientou.

Juliana Nolasco, do Google Brasil, também destacou o aprimoramento das políticas internas e das ferramentas que ajudaram a eliminar mais de seis milhões de anúncios ruins por dia em 2018 e a divulgar “conteúdo de autoridade e de renome”, como o produzido pela TV Senado no Youtube, para que a população consiga checar a veracidade das informações quando utilizam a busca do Google.

— Jornalismo de qualidade tem papel essencial na democracia nesses momentos que estamos vivendo — frisou.

O senador Styvenson Valentim (Pode-RN), durante a audiência, criticou a imprensa por distorcer declarações que foram usadas contra ele na campanha. Se dizendo “cansado de ser vítima das redes sociais”, ele pediu a responsabilização de quem divulga conteúdo falso. Também pediu colaborações dos participantes da audiência com propostas de legislação para o setor.

Para o presidente da CDH, senador Paulo Paim (PT-RS), as fake news são um desserviço, joga os cidadãos uns contra os outros e interferem negativamente em setores da sociedade.

— É uma prática que temos que condenar. Temos que incentivar o bem, fazer sem olhar a quem, precisamos ter no país e no mundo políticas humanitárias, e o fake news é a desumanização da sociedade — disse.

Fonte: Agência Senado

Crédito da foto: teclasap.com.br

Como uma adolescente do século 19 começou uma batalha sobre quem é o dono dos nossos rostos

Mais de um século atrás, uma adolescente chamada Abigail Roberson teve sua foto tirada em um estúdio profissional no interior do estado de Nova York. A foto não era particularmente escandalosa – Roberson é retratada dos ombros para cima, desviando o olhar da câmera, mas alcançou a versão de viralidade possível em 1890 e desencadeou um debate legal sobre privacidade que permanece sem resolução 120 anos depois.

Crédito da imagem: Gizmodo

Legislação eleitoral brasileira restringe liberdade de expressão, diz OEA

A Constituição Federal garante a liberdade de expressão a todos os cidadãos e proíbe a censura prévia sob qualquer hipótese. A única restrição é ao discurso racista. Mas tudo muda quando chegam as eleições. Aí imperam as regras da legislação eleitoral, que obriga os meios de comunicação a dar “igualdade de tratamento” a todos os candidatos e proíbe as pessoas de falar de candidatos, já que a crítica pode ser interpretada como “propaganda negativa”.

Tudo isso fica a cargo da Justiça Eleitoral, responsável por organizar as eleições e arbitrar os conflitos que acontecem em decorrência delas. É inclusive uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral que autoriza restrições à “livre manifestação do pensamento do eleitor” caso ele ofenda a honra de terceiros ou divulgue “fatos sabidamente inverídicos”, conforme diz o parágrafo 1º do artigo 22 da Resolução 23.551/17 do TSE.

Leia a íntegra no site ConJur.

Crédito da imagem: TSE

Eleições 2018: Missão da OEA destaca esforço da Justiça Eleitoral no combate às fake news

Relatório foi apresentado nesta quarta (6) em Washington D.C. Secretário-geral da Presidência do TSE participou do evento

A Justiça Eleitoral brasileira se empenhou para combater a disseminação de notícias falsas durante as Eleições Gerais de 2018, bem como para promover a transparência, a rápida apuração e divulgação dos resultados do pleito e ampliar a confiança que o povo deposita nas autoridades eleitorais do país. Essas foram algumas das conclusões do relatório final da Missão de Observação Eleitoral da Organização dos Estados Americanos (MOE/OEA) que acompanhou as eleições do ano passado no Brasil. O documento foi divulgado nesta quarta-feira (6), durante a sessão do Conselho Permanente da OEA, em Washington D. C., nos Estados Unidos. O evento contou com a presença do secretário-geral da Presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Estêvão Waterloo, que representou a Corte Eleitoral brasileira.

A Missão da OEA, primeira da Organização a acompanhar uma eleição brasileira, ressalta, no relatório, a atuação conjunta do TSE, veículos de comunicação, plataformas on-line e sociedade civil no combate à propagação das fake news na internet, com iniciativas de verificação da informação (Factchecking). Segundo a organização internacional, isso possibilitou valorizar o papel desempenhado pelos meios de comunicação do país no oferecimento de uma cobertura crítica da desinformação e propaganda, como parte de seus serviços noticiosos. De acordo com a OEA, divulgar as informações verdadeiras como contraponto às falsas “é a ferramenta mais eficaz para combater” esse tipo de ação.

A atuação desses agentes nas Eleições de 2018 aconteceu, de acordo com a Missão de Observação, em um contexto no qual a campanha na mídia tradicional se dava com maior intensidade na internet e causava preocupações em diversos atores do processo eleitoral no tocante à propagação das fake news.

No documento, a Missão da OEA lembra que o fenômeno das fake news surge em uma época de crescimento progressivo de uso da internet, que chegou a quase 60% da população brasileira em 2016.  De acordo com os observadores da OEA, durante o processo eleitoral, com base em atribuições a ela conferidas por lei, a Justiça Eleitoral brasileira ordenou a remoção de conteúdos considerados difamatórios. Nesse ponto do relatório, os observadores da OEA lamentam o uso irresponsável que vários setores políticos fizeram de sistemas de mensagens privadas para a divulgação em massa de desinformação. E assinalam que, empregadas de forma positiva, tais ferramentas “podem contribuir para a troca de informações entre candidatos e eleitores e ajudar a autoridade competente a aproximar o processo eleitoral da sociedade”.

Nesse contexto, a Missão internacional lembra que, prevendo justamente a possibilidade da má utilização das redes sociais no pleito de 2018, o TSE criou em 7 de dezembro de 2017 um Conselho Consultivo sobre Internet e Eleições. O colegiado foi criado com a finalidade de desenvolver pesquisas e estudos sobre as normas eleitorais e a influência da internet nas eleições, atento principalmente ao risco da propagação de notícias falsas e ao uso de robôs para esse fim.

Diante do fenômeno das fake news, ocorrido nos dois turnos das eleições, os observadores elogiam, no documento, a reação das autoridades eleitorais, dos meios de comunicação, das agências de verificação de informação e de plataformas on-line a esse processo de desinformação. Segundo a Missão, o TSE adotou, no curso do processo eleitoral, novas iniciativas, como o lançamento de um site (Esclarecimentos) para desmentir informações falsas. Ao mesmo tempo, conforme aponta o relatório, a Corte Eleitoral brasileira intensificou sua campanha interna e externa de divulgação da informação verdadeira.

Rapidez na divulgação dos resultados

No primeiro turno da eleição, ocorrido em 7 de outubro, a Missão de Observadores da OEA visitou 390 seções eleitorais (mesas de votação) em 130 centros do Distrito Federal e de 12 estados do país. Os observadores estiveram presentes na sala de verificação de totalização do TSE e no Centro Integrado de Comando e Controle das Eleições. No relatório divulgado, a Missão avalia como positiva a criação do Centro de Comando, que “facilitou o trabalho coordenado de diferentes instituições envolvidas” nos aspectos de segurança da eleição.

Em nenhuma das 390 mesas acompanhadas pela Missão foram registrados problemas com a urna eletrônica. A instalação das urnas e a impressão da zerésima – documento que mostra que nenhum voto foi computado na urna no momento de abertura das mesas de votação – transcorreram normalmente e no tempo previsto. Os observadores constataram ainda que, em todas as mesas verificadas, foi dada preferência, no ato de votar, a idosos, gestantes ou mulheres com crianças e pessoas com deficiência.

Ao fim do dia, a Missão da OEA acompanhou a transferência dos resultados a partir dos pontos de transmissão até os centros de totalização dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). A partir das 19h do dia da eleição, informam os observadores, a Justiça Eleitoral brasileira divulgou os primeiros resultados oficiais para o cargo de presidente da República. Duas horas e meia depois, 97,4% das mesas de votação de todo o país já haviam sido apuradas.

Na parte do relatório que trata da jornada eleitoral no segundo turno do pleito (28 de outubro), a Missão de Observação da OEA salienta, assim como ocorreu no primeiro turno, a rapidez com que o TSE “entregou a informação [os resultados das eleições] segura aos cidadãos”. A missão constatou que, às 19h do dia da votação, já se contava com os resultados de mais de 88% das mesas de votação e, uma hora depois, a informação de 99% das mesas estava disponível, com a totalização de mais de 100 milhões de votos.

Os integrantes da missão destacam que o uso da tecnologia, embutida no sistema eletrônico de votação, tornou possível conhecer os resultados das eleições rapidamente, gerando segurança e tranquilidade aos cidadãos, com informação precisa e oficial duas horas após o fechamento das últimas urnas nas regiões dos estados do Acre e Amazonas.

Segundo o documento, os observadores da OEA visitaram, no segundo turno do pleito, 392 seções eleitorais de 121 centros eleitorais do Distrito Federal e de 11 estados brasileiros. Nos locais visitados, a Missão internacional verificou que todas as mesas de votação abriram logo após a instalação das urnas eletrônicas e a impressão da zerésima.

O relatório destaca que a Missão da OEA notou uma baixa presença de fiscais dos partidos durante toda a jornada eleitoral. De acordo com os dados coletados pelos observadores, não havia representação partidária em 73% das mesas nos momentos de abertura e encerramento da votação. A Missão também não detectou a presença de observadores nacionais, agentes que não estão previstos na lei. Diante do que constatou, a Missão da OEA reitera, nessa parte do relatório, a importância de os partidos políticos e a sociedade civil se envolverem na fiscalização das diferentes etapas do processo eleitoral.

No documento, os observadores da OEA salientam que, ao final da jornada de votação, o procedimento de impressão dos boletins de urna ocorreu sem problemas em todas as seções eleitorais por eles verificadas. A Missão informa ainda que acompanhou a transmissão dos resultados e a totalização dos votos nos TREs.

Mulheres na política

Os observadores da OEA, no relatório, elogiam as autoridades judiciais brasileiras por promoverem a criação de mecanismos que buscam alcançar maior igualdade para as mulheres nos espaços de representação política, bem como consideram essencial o papel que o TSE pode desempenhar na promoção de uma efetiva participação feminina na política.

Organização e fiscalização do processo eleitoral

Em outro ponto do relatório, os integrantes da Missão reconhecem a confiança depositada pelo povo brasileiro nas autoridades eleitorais do país. Segundo a Missão da OEA, diante do desafio de organizar um processo eleitoral de enorme complexidade, devido às dimensões do país e ao tamanho do eleitorado, a Justiça Eleitoral brasileira demonstrou que possui um “sistema de votação profissional e robusto, que goza de grande prestígio no continente”.

Nesse contexto, a Missão ressalta que, apesar das críticas ao uso da urna eletrônica, esta demonstrou ser uma ferramenta eficiente, que permitiu, mais uma vez em 2018, e como acontece há 22 anos, “obter resultados rápidos e seguros, reduzindo o erro humano e garantindo transições pacíficas de poder”.

Liberdade de expressão

No relatório final, a Missão Eleitoral da OEA afirma que, durante as eleições do ano passado, vários atores políticos apresentaram recursos perante as autoridades eleitorais para exigir que um meio de comunicação fizesse a cobertura de suas atividades eleitorais ou para impedir a divulgação de conteúdos considerados como resultantes de tratamento privilegiado a um candidato ou facção política. A Missão internacional observa que, ao decidir esses recursos de candidatos, partidos ou coligações, o TSE “fez um cuidadoso equilíbrio entre o direito à liberdade de expressão e as garantias de acesso aos meios de comunicação pelos candidatos”.

Teste Público de Segurança (TPS)

A Missão de Observação Eleitoral da OEA considera positiva a realização do Teste Público de Segurança do Sistema Eletrônico de Votação (TPS), realizado pelo TSE. O TPS faz parte do calendário eleitoral e ocorre, preferencialmente, no ano anterior a uma eleição no país.

Os testes têm como objetivo identificar eventuais vulnerabilidades relacionadas ao sistema eletrônico de votação, visando a corrigi-las antes do pleito. Participam do TPS indivíduos ou grupos de especialistas em tecnologia da informação, externos à Justiça Eleitoral, que propõem seus planos de “ataque” ao sistema. O evento ocorre em um espaço exclusivo, com entrada controlada e ambiente monitorado por câmeras. Os investigadores selecionados para participar do TPS têm acesso a componentes do sistema eletrônico de votação aos quais jamais teriam em uma situação normal de eleição.

De acordo com os observadores da OEA, o TPS permite às autoridades eleitorais a identificação de possíveis vulnerabilidades a fim de agirem para proteger os diferentes componentes do sistema.

Cancelamento de títulos de eleitor

Apesar dos questionamentos de alguns atores políticos relativos a cancelamentos de títulos de eleitores, os observadores da OEA atestaram que tal medida seguiu as normas previstas na legislação brasileira sobre o assunto. Os componentes da missão internacional não verificaram nenhuma intenção partidária na ação da Justiça Eleitoral.

Agradecimentos

Em outra parte do relatório divulgado, a Missão de Observação Eleitoral da OEA agradece o acesso que teve a toda informação solicitada às autoridades brasileiras e por ter recebido oportunamente os detalhes relacionados ao processamento dos resultados das eleições. De acordo com a equipe da OEA, o processamento dos resultados e sua divulgação foram feitos com transparência e com a presença de autoridades eleitorais, representantes dos partidos políticos e observadores internacionais.

A Missão parabeniza o esforço logístico, humano e de capital que foi realizado para permitir que os brasileiros no exterior pudessem votar. Ao mesmo tempo, enfatiza o compromisso do Ministério das Relações Exteriores e da Justiça Eleitoral pelo trabalho conjunto, desde 2015, para facilitar os votos dos brasileiros no exterior – que passaram de 18,5 mil eleitores em 1989 para mais de 500 mil nas Eleições Gerais de 2018.

Convite à OEA

Durante as Eleições de 2018, pela primeira vez, a OEA realizou uma Missão de Observação Eleitoral no Brasil. A Organização aceitou um convite feito pelo Governo brasileiro, em setembro de 2017, após consultas entre o TSE, a Presidência da República e o MRE. A Missão de Observação Eleitoral da OEA abrangeu o primeiro e o segundo turnos das Eleições de 2018, que ocorreram respectivamente em 7 e 28 de outubro. Chefiou a missão da OEA a ex-presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla.

Em 28 de setembro de 2018, a Missão iniciou sua alocação para acompanhar o primeiro turno das eleições brasileiras. Os integrantes da Missão fizeram uma análise dos principais aspectos do processo eleitoral, o que incluiu organização e tecnologia eleitoral, financiamento das campanhas, participação política das mulheres, acesso aos meios de comunicação e liberdade de expressão, Justiça Eleitoral e participação dos povos indígenas e afrodescendentes.

Confira a íntegra do relatório da Missão de Observação Eleitoral da Organização dos Estados Americanos (MOE/OEA).

Fonte: Imprensa TSE

Crédito da imagem: TSE

Informativo n. 640 do STJ: É impossível aplicar a analogia entre o instituto da interceptação telefônica e o espelhamento, por meio do Whatsapp Web, das conversas realizadas pelo aplicativo Whatsapp.

WhatsApp Web. Autorização judicial de espelhamento. Conversas realizadas pelo investigado com terceiros. Instituto da interceptação telefônica. Analogia. Impossibilidade.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

Inicialmente, cumpre salientar que, ao contrário da interceptação telefônica, no âmbito da qual o investigador de polícia atua como mero observador de conversas empreendidas por terceiros, no espelhamento via WhatsApp Web o investigador de polícia tem a concreta possibilidade de atuar como participante tanto das conversas que vêm a ser realizadas quanto das conversas que já estão registradas no aparelho celular, haja vista ter o poder, conferido pela própria plataforma online, de interagir diretamente com conversas que estão sendo travadas, de enviar novas mensagens a qualquer contato presente no celular, e de excluir, com total liberdade, e sem deixar vestígios, qualquer mensagem passada, presente ou futura. Insta registrar que, por mais que os atos praticados por servidores públicos gozem de presunção de legitimidade, doutrina e jurisprudência reconhecem que se trata de presunção relativa, que pode ser ilidida por contra-prova apresentada pelo particular. Não é o caso, todavia, do espelhamento: o fato de eventual exclusão de mensagens enviadas (na modalidade “Apagar para mim”) ou recebidas (em qualquer caso) não deixar absolutamente nenhum vestígio nem para o usuário nem para o destinatário, e o fato de tais mensagens excluídas, em razão da criptografia end-to-end, não ficarem armazenadas em nenhum servidor, constituem fundamentos suficientes para a conclusão de que a admissão de tal meio de obtenção de prova implicaria indevida presunção absoluta da legitimidade dos atos dos investigadores, dado que exigir contraposição idônea por parte do investigado seria equivalente a demandar-lhe produção de prova diabólica (o que não ocorre em caso de interceptação telefônica, na qual se oportuniza a realização de perícia). Em segundo lugar, ao contrário da interceptação telefônica, que tem como objeto a escuta de conversas realizadas apenas depois da autorização judicial (ex nunc), o espelhamento via QR Code viabiliza ao investigador de polícia acesso amplo e irrestrito a toda e qualquer comunicação realizada antes da mencionada autorização, operando efeitos retroativos (ex tunc). Em termos técnico-jurídicos, o espelhamento seria melhor qualificado como um tipo híbrido de obtenção de prova consistente, a um só tempo, em interceptação telefônica (quanto às conversas ex nunc) e em quebra de sigilo de e-mail (quanto às conversas ex tunc). Não há, todavia, ao menos por agora, previsão legal de um tal meio de obtenção de prova híbrido. Por fim, ao contrário da interceptação telefônica, que é operacionalizada sem a necessidade simultânea de busca pessoal ou domiciliar para apreensão de aparelho telefônico, o espelhamento via QR Code depende da abordagem do indíviduo ou do vasculhamento de sua residência, com apreensão de seu aparelho telefônico por breve período de tempo e posterior devolução desacompanhada de qualquer menção, por parte da autoridade policial, à realização da medida constritiva, ou mesmo, porventura acompanhada de afirmação falsa de que nada foi feito.

PROCESSO RHC 99.735-SC, Rel. Min. Laurita Vaz, por unanimidade, julgado em 27/11/2018, DJe 12/12/2018

Fonte: Informativo n. 640 do STJ – Publicação em 15 de fevereiro de 2019

Crédito da imagem: TecMundo

 

Paixão política não combina com sucesso nas profissões jurídicas

Por Vladimir Passos de Freitas

Não é novidade para ninguém que vivemos tempos de radicalismo nas posições políticas. Todos, menos ou mais, passam por situações em que são confrontados pelos que pensam de forma diversa. Isto se dá em qualquer espaço de convívio social, como no ambiente de trabalho, em família ou nas redes sociais.

Palavras em tom agressivo ou mensagens hostis azedam as relações de amizade ou parentesco. Alguns não percebem que uma frase agressiva pode terminar algo muito precioso como a convivência familiar ou uma amizade antiga. Não raramente tal tipo de manifestação gera a saída de alguém do grupo de WhatsApp ou do almoço de domingo na casa da matriarca, ocasionando uma perda que só será avaliada com a passagem do tempo. E a volta ao estado anterior é difícil, pois, como se diz na linguagem popular, “quem bate não lembra, mas quem apanha nunca se esquece”.

Leia a íntegra no site ConJur.

Crédito da foto: jornaladvogado.com.br